terça-feira, 24 de setembro de 2013

Ativismo paranoico





A sociedade contemporânea vem sofrendo avanços significativos, o que não é novidade pra ninguém. Contudo esse avanço aceleradíssimo muitas vezes nos impede de parar pra refletir, pois é preciso produzir...

No mercado de trabalho ou acadêmico, só é bom aquele que muito produz para seu patrão ou tira as melhores notas na escola ou faculdade. Só tem valor aquele que muito sabe fazer, como exemplo: O que sabe tocar violão, ser um exímio poliglota, pois o inglês e espanhol não são mais considerados como idiomas que fazem diferencial, mas são idiomas considerados como essenciais. A pessoa já tem que saber se não fica à margem do mercado de trabalho. É preciso ser não praticante de esporte como atividade saudável, mas tem que ser um competidor quase que invencível, um atleta nato!
 Na vida acadêmica, já não faz mais diferencial quem tem graduação ou até uma pós-graduação latu sensu é preciso ser mestre, ser doutor e ser versátil em outras áreas, pois o mercado é exigente...
É praticamente impossível acompanhar os avanços tecnológicos, hoje se lança um modelo de telefone, amanhã de um novo computador, carro, videogame, etc... Nunca estaremos atualizados nesse sentido, pois se compra um lançamento de uma coisa hoje, amanhã aquilo que você adquiriu já passa a ser velho.

Com tantos avanços assim, penso que o ser humano não tem dado conta de pragmatismo desenfreado que acaba trazendo isso para as relações humanas. Outrora as pessoas se comunicavam pessoalmente, conversavam, olhavam-se nos olhos, hoje mandam torpedos, e-mails, trocam mensagens nas redes sociais, se comunicam através do WhatsApp, etc..
Quem nunca passou por uma situação em que algum “amigo” lhe enviou uma solicitação de amizade pelo Facebook, por exemplo, conversa horas a fio contigo, pela rede social, e quando o encontra, mal o cumprimenta, (quando o faz) com os dentes cerrados de vergonha?
É fato que virtualmente as pessoas perdem a timidez pra se expressarem, porém quando se tem o contato cara a cara as pessoas mal conversam, não convivem muito menos se relacionam. Criava-se vínculos afetivos e efetivos, hoje apenas um contato a mais e outro a menos, de forma até descartável.
Confesso que sou refém dessa geração tecnológica, mas procuro me desvencilhar o quanto posso pra não me tornar um escravo desse universo, por outro lado, preciso de algumas coisas, outras nem tanto, não fosse isso não teria criado o blog pra expressar um pouco de minhas infindáveis “Abstrações”...

Diante disso me pergunto: Até onde vai esse progresso? Até quando as pessoas se deixarão ser vítimas disso? Se você não tem uma conta numa rede social, você é um excluído, vive à margem da sociedade. Estão valorizando mais o universo virtual que o real. Sem contar que tudo isso, consome o tempo de todos, e nunca temos tempo pra nada, pois é preciso produzir, produzir, produzir... É preciso se comunicar com todos e ao mesmo tempo. Não tenho dúvidas de que grande parte disso acaba gerando um grande stress incontido, pois temos tanto a fazer e quando percebemos de que não somos capazes de dar conta de tudo, nos desesperamos, não sabemos o que fazer e a quem e como recorrer.
Abarrotam-se os consultórios psicológicos e quiçá psiquiátricos, pela simples razão desse ativismo paranoico que nos aprisiona ou nos subjuga em razão de uma incontável quantidade de tarefas a serem empreendidas.

Penso que em sua natureza ontológica, o ser humano, principalmente em tempos atuais tem medo de solidão, de terminar os seus dias só. Por outro lado, creio que só conviverá bem com os outros e enfrentará ainda que com poucas forças, essa síndrome ativista, quando puder conviver um pouco de sua solidão, onde se conhecerá melhor, se assustará com lugares sombrios, mas se alegrará ao vislumbrar virtudes que antes eram despercebidas. Só assim pra se apresentar aos outros e conviver um pouco melhor, de maneira mais saudável nessa crise pragmática em que hoje nossa sociedade é grande produtora e vítima.

Retornando...

Alguns devem estar se questionando da continuidade do blog, por conta da inatividade momentânea à que me submeti em sua produção, desse modo deixo a minha justificativa:
Escrever não é arte tão simples quanto possa parecer, muito menos em se tratando de um blog, por menor que seja o público alcançado, mas não menos exigente. Escrever num blog, requer perseverança, comprometimento de produção textual, etc... No entanto, justifico a ausência de publicações do meus textos nessa página, em virtude  de diversos compromissos profissionais e sobretudo acadêmicos. Estudar pra concursos, escrever monografia, me preparar para sua defesa, comprometeu meu tempo, de modo a não poder atualizar essa página. Faz muito tempo que não publico nada por aqui por conta desses e outros compromissos. Nesse interregno, pude ler um pouco (não tanto quanto gostaria), e assim que puder, compartilho um pouco das experiências vividas ao passar de cada página, sejam elas dos livros que li, sejam dos momentos significativos que me ajudaram na escrita da minha história... Então, aguardem!!!
Grande abraço!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

O que estou lendo




O terceiro livro da aclamada série " As Crônicas de Gelo e Fogo", do brilhante George R.R. Martin, um grande autor de sucesso. A série envolve uma saga de uma batalha sangrenta, cruel e muitas vezes desleal para a conquista dos "Sete Reinos" descritos na trama. Para quem gosta de fantasia, cenário épico e batalhas impiedosas de reinos, pela conquista de um governo ambiciosamente poderoso, vai uma grande dica de leitura! Só precisa de paciência pra ler. O que não é tarefa muito difícil para um leitor compulsivo!
Devorem....

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Chesterton: um apologeta, um profeta, um gênio!


Na semana passada concluí a leitura de "Ortodoxia" do grande escritor, poeta, narrador, ensaísta, jornalista, historiador, biógrafo, teólogo, filósofo, desenhista e conferencista britânico Chesterton. É isso mesmo! Ele era tudo isso!!! De uns tempos pra cá, fiquei muito curioso ao ler suas obras, tamanhas eram as referências que se faziam a esse brilhante escritor. Entrar em contato com seus escritos é se encontrar com um apologeta que com muita vivacidade, inteligência, bom humor e, sobretudo, uma capacidade discursiva impressionante, aborda algumas questões vivenciadas em nossa sociedade hodierna com muita propriedade. Por isso, o chamo de profeta. Sua perspicácia é tamanha, ao ponto de a seu tempo, descrever e refutar algumas realidades histórico-filosóficas que pululam em nossos dias. É realmente um homem à frente de seu tempo! Nessa obra em específico ele mostra como encontrou no cristianismo a sua fé e, por conseguinte rebate com muita sagacidade, o cientificismo reducionista e determinista, defendendo, portanto os valores cristãos. Possuidor de uma retórica sensacional, coloca em debate crítico ideias como as de Mark Twain e Nietzsche. Leia Chesterton, sem preconceitos, tenho certeza de que ele lhe ajudará a quebrar alguns paradigmas estabelecidos sem uma racionalidade discursiva e verá que é um escritor de grosso calibre e grande respeito!

Dostoiévski: Arguto observador


Bom, um dos objetivos desse blog é trocar experiências sobre livros e coisas afins. Se existe algum escritor que reverencio é Dostoiévski! Os meus amigos mais próximos o sabem. Comecei a lê-lo por uma vaidade pseudo intelectual de estar lendo literatura russa, confesso... No entanto, o contato com esse autor foi impactante, sobretudo na descrição de suas personagens e dramas interiores. Li “Crime e Castigo" e no início não entendia muita coisa, achava o livro um pouco chato, afinal de contas estamos falando de um autor demasiadamente complexo e com uma linguagem de 1866 (ano em que foi escrito o livro mencionado e considerado um de seus maiores sucessos). Porém ao passar as páginas e ver toda aquela realidade dramática vivida por Raskólnikov, um de seus protagonistas que busca a redenção através do crime e depois se atormenta com a culpa, foi realmente avassalador ao olhar pra esse escritor que identifica o problema central dos limites da liberdade humana. Após sua leitura, me apaixonei pelo seu modo de escrita e pelos problemas abordados em suas obras, o que me fez perceber a sua imensa capacidade de enxergar níveis mais profundos da consciência humana. Além disso, muitos outros motivos me animaram a conhecer melhor as obras desse genial escritor. Quem diria, que um ex-estudante de engenharia, condenado ao exílio na gélida Sibéria, viciado em jogo, se tornaria um dos maiores escritores da Literatura Clássica Universal? Fica a dica, pra quem quer conhecer um autor cheio de drama e genialidade nos seus escritos...

Ano novo, novas metas...

Entra ano, sai ano e fazemos uma infinidade de promessas a serem cumpridas no seu decurso. Queremos aprender a dirigir, aprender um novo idioma, estudar mais pra passar naquele tão sonhado concurso público e assim alcançarmos estabilidade financeira, tocar um instrumento musical, obter uma promoção no trabalho, etc. No entanto, sempre quando essa etapa cronológica vai se findando, começamos a refletir sobre o que prometemos e nos damos conta de que não conseguimos cumprir nem metade do que foi planejado, devido a essa crise de ativismo desenfreada tão presente em nosso tempo... Não seria hora, de no início desse ano, fazermos um pouco diferente? Que tal, cuidarmos um pouco mais de nós, sem nos atolarmos de compromissos que provavelmente não daremos conta, ouvirmos mais e falar menos, pra que com serenidade possamos cumprir bem, ao menos uma das metas propostas nesse ano que se começa? Afinal de contas, a vida é uma novidade que se renova a cada dia...

Amizade


“Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em  mim. Para isso, só sendo louco. Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão  pelas injustiças. Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de  aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos,  nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.”.

(Oscar Wilde)

A leitura como exercício de autoconhecimento


"Qualquer um de nós que gosta de livros sabe que as primeiras grandes obras que lemos se tornam parte da forma como olhamos para o mundo. É como se tivéssemos uma espécie de virgindade psíquica que perdemos para um certo número de livros e que nenhuns outros alguma vez poderão voltar a alcançar."
(Michael Cunningham)

Realmente é impressionante como o exercício da leitura torna-nos mais críticos em meio ao ambiente em que vivemos. Alguns livros nos fazem mergulhar não apenas no seu universo fantasioso, mas após sua leitura, no ajudam a mergulhar dentro de nós mesmos, para que possamos conhecer nossas sombras, aprendermos a lidar com elas, mas também, poder perceber o que há de melhor em nós, e até nos ajudando a sermos pessoas melhores, mais maduras, encarando a realidade existencial e transitória, como uma oportunidade de crescimento pessoal e diário. Que essa atividade de leitura com o livro e conosco mesmos, não seja tida como uma obrigação a ser cumprida tão somente, mas que ao fim nos proporcione contentamento, mesmo se no caminho nos depararmos com alguns "monstros terríveis", para encararmos com menos medo, ou ausência dele, uma realidade talvez dura, porém fugaz...

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Coragem para escrever!


Coragem para escrever!

Desde tenra idade, me aproximei do universo das palavras e tão logo me encantei.
Hoje cultivo isso com voracidade e sem precedentes. Ler para mim é mais que um simples hobby, passatempo... É paixão mesmo, ao ponto de ao mergulhar no mundo literário, acabar me esquecendo do tempo, problemas, pessoas e quiçá de mim mesmo (risos). É como um refúgio num local seguro onde posso entrar em diálogo comigo mesmo em meio a tantas páginas, escritas de diversos estilos e por mais variados autores, onde cada um na sua singularidade, imperceptivelmente quando descrevem suas personagens, falam também um pouco de mim, seu fã e leitor. E escrever, será que a paixão é correspondida no mesmo nível? Depois de alguns pedidos de amigos curiosos pela expressão das minhas abstrações, crio coragem pra expressar alguns pensamentos, comentários sobre livros, filmes, séries e minhas viagens pseudo-filosóficas... Tive que soltar algumas amarras, inclusive da timidez pra poder fazê-lo... Espero que na coragem de escrever, não torne essa tarefa um exercício penoso, árduo, com um ascetismo vazio, do contrário, que seja uma tarefa quase mística fazer com que você leitor saboreie comigo desse infindável universo das palavras e ideias e partilhe comigo das suas...